O Último Banquete Da República. UMA FARSA GASTRONÔMICA EM TEMPOS DE CRISE (en Portugués)
Reseña del libro "O Último Banquete Da República. UMA FARSA GASTRONÔMICA EM TEMPOS DE CRISE (en Portugués)"
Em “O Último Banquete da República”, a política não se debate em plenários, mas à mesa. Não há discursos inflamados, apenas garfos tilintando contra pratos vazios de sinceridade. Sob um mesmo teto — literal e metafórico — acadêmicos, tecnocratas, políticos e empresários cansados de si mesmos se reúnem, todos conscientes de que estão perdendo o controle, mas fingindo ter a receita da salvação.O jantar é só pretexto. A verdadeira refeição é o debate sobre poder, culpa, vaidade intelectual e a sensação de que talvez já sejamos aquilo que outrora condenávamos. Entre os pratos, servem-se teses, ironias, verdades mal digeridas e autopiedade temperada com vinagre de opinião pública.Barbosa, que insiste em dizer que não é personagem, tenta entender se escreveu o livro ou se foi escrito por ele. Gabriela, parceira na vida e na edição, revisa não só manuscritos, mas escolhas existenciais. E no meio de tudo, um Cozinheiro cuja identidade muda conforme o humor do leitor — ou do autor.Aqui, comida é metáfora, crítica e arma. O humor é ácido, o lirismo, ocasional, e a erudição, voraz. Mas quando acerta, a sátira se torna bisturi: corta com elegância a pele grossa da elite pensante.Este não é um romance leve. Incomoda, questiona e ri de si mesmo — como quem percebe que fala sério demais num mundo que virou piada sem punchline.Boa leitura. E cuidado com o que você assina.